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São Paulo, 31 de Dezembro de 2008

James Kwambai, do Quênia, e Yimer Ayalew, da Etiópia, mantêm hegemonia africana na São Silvestre

Eles venceram a 84ª edição da prova nesta quarta-feira em São Paulo

São Paulo (SP) – O queniano James Kwambai e a etíope Yime Wude Ayalew venceram na tarde desta quarta-feira a 84ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, disputada sob calor de 28 graus e 50% de umidade do ar, mas sem a chuva que caiu nos últimos dias em São Paulo. Com isso, a África manteve a hegemonia na tradicional competição paulistana.

Vice-campeão da Maratona Internacional de Berlim, com o extraordinário tempo de 2h05min36s, James Kipsang Kwabai esteve sempre entre os líderes da competição e travou um duelo particular com o seu compatriota Evans Cheruyiot, vencedor da Maratona de Chicago deste ano, que chegou na segunda colocação.

Fundista consistente, Kwambai, que ganhou este ano a Meia Maratona (21.097m) de Virginia Beach, nos Estados Unidos (1h02min11s), comemorou bastante a resultado da prova que teve um pódio totalmente estrangeiro.

“Agradeço ao povo de São Paulo e todo mundo que vibrou comigo durante a prova. Foi uma excelente corrida. Me esforcei ao máximo para vencer”, afirmou o campeão.

Sobre a hegemonia dos quenianos na corrida de São Silvestre, James conta que não há tática especial para vencer. “O nosso segredo é o treino. Se falam para correr durante 1 hora e 20 minutos, eu corro. Decidi disputar a São Silvestre em novembro e treinei forte para esta prova”, acrescentou o atleta queniano.

O brasileiro Franck Caldeira, campeão em 2006 e um dos favoritos, não teve sorte e abandonou a corrida pouco antes do quilômetro 10. O pódio foi dominado pelos estrangeiros e o melhor brasileiro na prova foi Raimundo Nonato, na sétima posição. “O ritmo da prova estava muito forte. Tentei acompanhar, mas não tive perna”, explicou Nonato.

No feminino, a etíope Yimer Wude Ayalew, de 21 anos, assumiu a ponta no quilômetro 8 ao ultrapassar a tanzaniana Sara Ramadhani e não foi mais ameaçada. Especialista em provas mais curtas e de velocidade, ela demonstrou muita energia completando os 15 quilômetros à frente de James Kwambai, no esperado confronto Homem x Mulher na competição (a prova masculina teve largada apenas 7 minutos depois da feminina).

“No início da prova as quenianas e a tanzaniana estavam num ritmo muito forte e decidi segurar um pouco. No quilometro 8, senti minhas pernas fortes. Estou muito feliz. O Brasil me deu sorte e também estava em um bom dia”, explicou a campeã.

A corredora, muito tímida, tem resultados expressivos como 14min57s23, nos 5.000 metros; 8min35s50, nos 3.000 metros; e 31min06s84, nos 10.000 metros – resultado obtido na Golden Spike Ostrawa, no dia 12 de junho deste ano. Ela ganhou também a 2ª Corrida da Mulher, disputada entre as Docas de Alcântara e a Torre de Belém, em Portugal, quando superou inclusive a queniana Alice Timbilili, campeã da São Silvestre do ano passado.

Ao contrário do pódio masculino, o feminino teve quatro brasileiras: Fabiana Cristine da Silva terminou em segundo lugar, seguida por Marily dos Santos, Edielza Alves dos Santos e Luzia de Souza Pinto.

A pernambucana Fabiana comemorou bastante o resultado. “Decidi treinar para São Silvestre sem ficar preocupada com resultado. Essa foi a minha tática e deu certo”, contou a vice-campeã que está se recuperando de uma lesão no pé esquerdo.

Já Marily dos Santos comemorou muito a terceira posição no pódio e se emocionou ao lembrar da mãe (Maria do Socorro), que teve um AVC e uma parada cardíaca há cinco dias. “Estava agoniada com a situação dela. Antes de vir para São Paulo, fui visitá-la no hospital e na única visita permitida, ela abriu os olhos e disse que eu iria correr bem. Esse foi o meu presente para ela”, disse a alagoana.

Emoção na despedida - Vanderlei Cordeiro de Lima encerrou sua carreira profissional da maneira que esperava, com festa do público durante todo o percurso. “Cada passada minha durante a prova representou um pouco da minha dedicação por este esporte que tanto me deu alegria. Agora, vou me divertir correndo como amador. Agradeço a todos os brasileiros que me apoiaram”, afirmou Vanderlei, que foi homenageado no pódio, ganhando o Troféu Marco da Paz.

Bicampeão pan-americano e medalha de bronze na Olimpíada de Atenas/2004, Vanderlei terminou a prova na 102º posição, com o tempo de 52min12s.

Tradição e força - James Kwambai foi o quarto queniano a vencer a prova masculina da São Silvestre. Foi também a 11ª vitória do país africano, que tem cinco primeiros lugares com Paul Tergat (95, 96, 98, 99 e 2000), três com Robert Cheruiyot (2002, 04 e 07) e duas com Simon Chemwoyo (92 e 93). Agora, o Quênia supera o Brasil que tem dez vitórias masculinas, desde que a competição se tornou internacional.

No feminino, Yimer Ayalew obteve a segunda vitória etíope na prova feminina e a terceira no geral. Antes dela, Derartu Tulu ganhou em 94 e, entre os homens, Tesfaye Jifar ganhou em 91.

Os recordes da prova, desde que mudou para o percurso atual de 15 quilômetros, continuam com os quenianos Paul Tergat (43min12s), desde 1995, e Hellen Kimayo (50min26s), desde 1993.

Classificação da 84ª São Silvestre

Masculino

1- James Kwambai (QUE) – Nike – 44min42s
2- Evans Cheruyot (QUE) – Nike – 45min16s
3- Kiprono Mutai (QUE) – Athletic Sports – 45min28s
4- Marco Joseph (TAN) – 45min37s
5- William de Jesus (COL) – Porvenir – 45min47s
6- Nicholas Koech (QUE) – 45min52s
7- Raimundo Nonato Sousa Aguiar (BRA) – Pé de Vento – 46min05s
8- Eduardo Antonio da Silva (BRA) – Conforlimpa– 46min17s
9- Giomar Pereira da Silva (BRA) – Cultura Inglesa – 46min35s

10- Helder Ornelas (POR) – Conforlimpa/Nike – 46min39s

Feminino

1- Yimer Wude Ayalew (ETI) – Nike – 51min37s
2- Fabiana Cristine da Silva (BRA) – Pão de Açúcar/BM&FBOVESPA – 52min28s
3- Marily dos Santos (BRA) – Mizuno/Caixa – 52min48s
4- Edielza Alves dos Santos (BRA) – Unidf/Cruzeiro – 53min02s
5- Luzia de Souza Pinto (BRA) – Caixa/Fecan/Unicsul – 53min52s
6- Cruz Monata da Silva (BRA) – 53min57s

7- Priscah Jeptoo (QUE) – 53min58s
8- Diana Judith Landi Andrade (Adidas/Gatorade) – (EQU) – 54min07s
9- Rosa Alva Cracha (EQU) – 54min41s
10- Sueli Pereira da Silva (BRA) – Unidf – 54min46s





São Paulo, 30 de Dezembro de 2008

Quenianos mostram confiança e querem manter a hegemonia na São Silvestre

Evans Cheruiyot, James Kwabai, Nicholas Koech, no masculino, e Nancy Kipron, no feminino, vão lutar pela vitória

São Paulo (SP) – Os quenianos mostraram na entrevista coletiva realizada no começo da tarde desta terça-feira que estão muito confiantes para manter a hegemonia do país na 84ª Corrida Internacional de São Silvestre, que será disputada a partir das 15 horas desta quarta-feira por ruas e avenidas de São Paulo. Com retrospecto excelente, o grupo nem quis conhecer o percurso, dizendo que correm bem em circuitos planos, subidas e descidas.

Evans Cheruiyot, que este ano ganhou a Maratona Internacional de Chicago, com o ótimo tempo de 2h06min25s, será uma das atrações. Aos 26 anos, Evans ganhou a medalha de bronze no Mundial de Meia Maratona da Itália, em 2007.

“A São Silvestre é uma prova reconhecida internacionalmente e estou muito feliz por estar aqui. É a minha primeira vez no Brasil e espero conseguir um grande resultado. Este é o país do futebol e estou muito feliz por ter sido convidado”, disse o atleta, que venceu no ano passado a Maratona de Milão, com 2h09min15s.

James Kwabai é outro atleta de alto nível. Vice-campeão da Maratona de Berlim, com o recorde pessoal de 2h05min36s, ele tem outros bons resultados como o quinto lugar na Maratona de Nova York (2h12min25s) e a vitória na Maratona de Pequim, de 2006 (2h10min36s). “Estou bem treinado e bem condicionado fisicamente. Espero fazer o meu melhor na prova.”

Nicholas Koech e Kipromo Mutai também participaram da coletiva. Koech venceu a Volta da Pampulha e a 10K Rio este mês e também está animado. Mutai, que se arrisca a falar algumas palavras em português, participou da São Silvestre do ano passado, quando desistiu por causa do forte calor. “Este ano estou melhor preparado e quero brigar pelo pódio.”

No feminino, Nancy Kipron, campeã da Volta da Pampulha e da 10K Rio, não se considera favorita, mas garante estar pronta para a prova. “Estou há três meses no Brasil pensando na São Silvestre.”

A etíope Yimer Wude Ayalew, também uma forte concorrente, não quis participar da coletiva por não se sentir confortável em falar em inglês.

O técnico Moacir Marconi, o Coquinho, que serviu de intérprete e tem um centro de treinamento no Paraná, elogiou os quenianos. “Eles têm uma qualidade genética ligada à corrida, mas são profissionais, humildes e muito sérios no esporte que praticam.”

Brasileiros confiantes - Maria Zeferina Baldaia, campeã da São Silvestre de 2001, mostrou também bastante confiança. Campeã este ano da Maratona Internacional de São Paulo, da Meia Maratona do Rio e da Stramilano, na Itália, ela passa por um grande momento na carreira. “Estamos corrrendo de igual para igual com as quenianas. Tive um ano fantástico e estou em boas condições para esta prova”

Marily dos Santos e Marizete Moreira dos Santos também participaram do encontro com os jornalistas. Marily, única representante brasileira na Maratona dos Jogos Olímpicos de Pequim, fez uma forte preparação em altitude, com treinos em Campos do Jordão e Bogotá. “Me sinto mais preparada para a São Silvestre e também mais descansada. Treinei muito bem.”

Já Franck Caldeira, campeão da São Silvestre de 2006, não espera facilidades. Ele lembra que os quenianos correm bem em qualquer condição climática e por isso não adianta torcer para a chuva ou calor. Os caras não quebram”, comentou. “Com sol ou chuva a gente vai ter de correr bem e estar na pista.”

O brasileiro mais bem colocado na São Silvestre de 2007, Anoé dos Santos Dias, disse que a São Silvestre é uma prova que costuma surpreender. “Fiz minha preparação e simplesmente vou tentar correr da melhor forma possível, pensando apenas em meu desempenho.”

Giomar Pereira da Silva, líder do Ranking de Corredores de Rua da CAIXA/CBAt, também garante estar bem preparado. Ele fez um número menor de competições este ano para chegar em boa forma na São Silvestre. “Espero correr de igual para igual com quenianos e outros brasileiros. Apesar de minha idade (36 anos), sinto que estou na minha melhor forma, aprendendo cada vez mais como me comportar nas provas.”

Homenagem a Vanderlei - Vanderlei Cordeiro de Lima, medalha de bronze na Olimpíada de Atenas/2004, foi homenageado por todos os outros brasileiros. O corredor paranaense escolheu a São Silvestre para se despedir do atletismo profissional. “Vai ser certamente uma prova muito especial. A expectativa é muito grande, assim como a ansiedade. Parece que será a minha primeira São Silvestre. Quando se fala de despedida, um pouco me entristece, mas espero que muitas pessoas possam se espelhar em minha carreira”, lembrou. “A partir do dia 1º. passo a ser um atleta amador e espero poder correr outras 50 São Silvestres.”

Vanderlei não tem expectativas de resultados. “Não estou em boas condições físicas. O importante para mim será completar a prova e participar da festa junto com os outros atletas e com o público.”

A prova deste ano, que terá transmissão ao vivo pela Rede Globo e TV Gazeta, reunirá 20 mil participantes (16.800 homens e 3.200 mulheres) e terá os seguintes horários: 15h00 – cadeirantes e handcycle; 15h05 – outros atletas com deficiência física; 16h45 – elite feminina; e 16h52 – elite masculina e demais categorias. O percurso é o mesmo das últimas temporadas, com total de 15 quilômetros. A largada será feita em frente ao Masp (Avenida Paulista, 1578) e a chegada ocorrerá em frente ao prédio da Fundação Cásper Líbero (Avenida Paulista, 900).

Este ano, a prova terá uma ambulância a cada quilômetro, totalizando 18 UTIs, demonstrando a preocupação com a saúde dos participantes. Na chegada, haverá um hospital com 250m2 de área, com mais de 100 profissionais da área médica a postos.

Assim como no ano passado, haverá o confronto Homem x Mulher. Por isso, a diferença entre as largadas será de 7 minutos. A tendência é dos líderes do masculino e do feminino chegarem praticamente juntos.

A São Silvestre é uma realização da Fundação Cásper Líbero e promoção da Gazeta Esportiva Net e Rede Globo. A prova tem um comitê organizador, com supervisão da CBAt, FPA, IAAF e AIMS. O patrocínio é da CAIXA, Oi, Wizard e Sabesp, Sedex e Garnier Bi-O com apoio de Gatorade, Montevérgine, Café 3 Corações, HCor, e apoio especial do Governo do Estado de São Paulo e Prefeitura de São Paulo.

Mais informações no site
http://*www.saosilvestre.com.br











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